Atualmente, no mercado de trabalho, escuta-se muito falar sobre etarismo. Embora o ambiente corporativo seja o palco onde esse preconceito se manifesta de forma mais visível e prejudicial à subsistência, ele obviamente não ocorre apenas nele.
O etarismo está entranhado na nossa cultura, na forma como consumimos produtos, como nos vestimos e até na maneira como interagimos com as pessoas em espaços públicos.
Mas, afinal, o que exatamente é o etarismo?
De forma direta, trata-se da discriminação e do preconceito baseados na idade. Geralmente, manifesta-se das gerações mais novas em relação às mais velhas (o chamado idadismo), mas também pode ocorrer o inverso.
É, na realidade, mais um tipo de preconceito que sempre existiu na sociedade e que agora foi nomeado, para que possa ser combatido.
Porém, o termo tem sido muito mais discutido devido ao fato de a expectativa de vida da população aumentar a cada ano. A saúde e a tecnologia têm permitido que este bónus de longevidade ocorra com qualidade.
Com isso, cada vez mais pessoas trabalham até uma idade mais avançada, e isso não só por vontade e vitalidade, mas também por necessidade e questões sociais.
Etarismo no mercado de trabalho: um desafio da atualidade
Devido a todos estes fatores, temos atualmente no mercado de trabalho um contingente crescente de pessoas com idades ditas “avançadas”. É aqui que o etarismo se destaca. Como todo e qualquer preconceito, ele deve ser extinto.
Um profissional não é pior ou melhor devido à sua idade, mas sim devido a múltiplos fatores que compõem a sua competência. Julgar a capacidade de alguém pela quantidade de cabelos brancos é tão errado e cruel quanto discriminar por questões raciais ou de gênero.
No entanto, o etarismo tem-se tornado um problema estrutural que afeta a contratação, a promoção e a permanência de talentos nas empresas.
Mudança do cenário demográfico

Como mencionado, a expectativa de vida tem aumentado e, devido a isso, já temos mudanças no cenário profissional. No entanto, a maior parte das empresas ainda não percebeu a urgência do tema.
A curva de crescimento da longevidade é ascendente há muitos anos e as estatísticas são claras: em 2060, no Brasil, teremos mais pessoas maduras do que jovens.
É preciso começar hoje a colocar em prática ações para que o mercado aceite os profissionais seniores da melhor forma e para que estes profissionais estejam aptos a manterem-se ativos.
A realidade dos profissionais 40+ e a transição de carreira
É muito comum, hoje em dia, que pessoas acima dos 40 anos voltem para as universidades. Seja para se especializarem ou para buscarem conhecimento para uma transição de carreira completa. O UniDomBosco recebe muitos alunos nesta faixa etária, provando que o desejo de aprender não tem data de validade.
Infelizmente, o mercado de trabalho ainda não recebe esses profissionais em transição com o mesmo entusiasmo com que recebe os recém-formados de 20 anos. Existe um mito de que o profissional maduro é “caro”, “inflexível” ou “resistente à tecnologia”. Estes estereótipos são a base do etarismo e precisam ser derrubados.
Não podemos colocar jovens e pessoas maduras numa balança para saber quem “pesa” mais. As qualidades de ambos são complementares: o jovem traz a energia e a familiaridade nativa com novas tecnologias; o sênior traz a inteligência emocional, o repertório de crises superadas e a visão estratégica.
Como as empresas podem combater o etarismo?
Para que o preconceito de idade deixe de ser um obstáculo, as organizações precisam de adotar estratégias intencionais:
Recrutamento cego para idade: retirar a data de nascimento ou o ano de formação dos currículos na primeira triagem para evitar vieses inconscientes.
Equipas multigeracionais: criar projetos onde colaborem profissionais de 20, 40 e 60 anos. A troca de experiências é o melhor antídoto contra o preconceito.
Mentoria reversa: programas onde o jovem ensina sobre ferramentas digitais ao sénior, enquanto o sénior mentora o jovem sobre liderança e comportamento.
Políticas de Diversidade e Inclusão: o etarismo deve constar explicitamente nos pilares de diversidade da empresa, com metas reais de contratação.
Papel do profissional maduro no novo mercado
Uma mudança de mentalidade é necessária e ela tem de vir de todos. Se tem mais de 40 ou 50 anos, a sua postura também é fundamental:
Lifelong Learning (aprendizado contínuo): Esteja aberto a novos conhecimentos. Mostrar que domina as ferramentas atuais quebra o preconceito de que pessoas maduras são analógicas.
Valorize a sua experiência: Não esconda a sua idade. Transforme os seus anos de mercado numa vantagem competitiva, destacando problemas complexos que já resolveu.
Networking ativo: Mantenha a sua rede de contatos atualizada e participe em comunidades (físicas e digitais) onde estão os profissionais de todas as idades.
Etarismo além do escritório: a sociedade e o envelhecimento
Embora o foco deste artigo seja o mercado de trabalho, o etarismo manifesta-se em situações cotidianas que parecem inofensivas, mas que reforçam estigmas:
Cerceamento da vestimenta: O julgamento sobre o que uma pessoa de 50 ou 60 anos “pode” ou “deve” vestir.
Pressão estética: O tabu sobre assumir cabelos brancos ou rugas, como se envelhecer fosse algo a ser escondido.
Infantilização: Tratar idosos como crianças, usando diminutivos ou assumindo que eles não compreendem tecnologia ou finanças.
Precisamos entender que o envelhecimento é a única forma de viver muito. Combater o etarismo é, portanto, lutar pelo nosso próprio futuro.
Qual é o papel das instituições de ensino?
As universidades têm uma responsabilidade imensa. No UniDomBosco, acreditamos que o ensino deve proporcionar condições efetivas para que o público maduro se sinta acolhido. Isso envolve desde a metodologia de ensino até à integração social no campus.
O conhecimento não tem idade e a universidade deve ser o espaço onde o profissional de 50 anos se sente tão capaz quanto o de 18.
Extinguir o etarismo deve ser compromisso de todos
Precisamos combater o etarismo com a mesma força com que combatemos o racismo e o sexismo. Esta deve ser uma meta coletiva. À medida que a curva da expectativa de vida cresce, a nossa missão é fazer com que a curva do preconceito diminua na mesma proporção.
Valorizar o profissional maduro não é um ato de caridade; é uma estratégia inteligente de negócio e um imperativo de justiça social. Afinal, a sabedoria acumulada pelos anos é um ativo que nenhuma inteligência artificial consegue replicar totalmente.
Que possamos olhar para o mercado de trabalho do futuro e ver equipes diversificadas, onde o que importa é a competência, a paixão pelo que se faz e a capacidade de colaborar, independentemente do ano que consta no cartão de identidade.
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