Dia Internacional das Mulheres

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O mês de março é marcado pela comemoração do Dia Internacional das Mulheres, que é comemorado no dia 08, mas que acaba se estendendo devido, principalmente, às ações de marketing de muitas marcas destinadas ao público feminino.



Mas a realidade é que esse dia não é um dia comercial e não deveria ser visto somente dessa forma.

A origem histórica do Dia Internacional das Mulheres

O Dia Internacional das Mulheres surgiu justamente para lembrar que muitas das conquistas femininas que hoje parecem naturais foram resultado de décadas — e até séculos — de mobilização, protestos e reivindicações. 

Durante muito tempo, as mulheres foram excluídas de espaços fundamentais da sociedade, como a política, a educação superior, o mercado de trabalho formal e até mesmo a participação em decisões dentro da própria família.

As primeiras mobilizações femininas

A construção dessa data tem raízes profundas em movimentos sociais do final do século XIX e início do século XX, período em que trabalhadoras de diversos países começaram a se organizar para exigir melhores condições de trabalho, redução da jornada laboral e direitos básicos. 

Em fábricas e indústrias, principalmente no setor têxtil, as mulheres enfrentavam jornadas extremamente longas, salários muito inferiores aos dos homens e condições insalubres.

O movimento sufragista e a luta por direitos

Além das reivindicações trabalhistas, o movimento feminino também passou a incorporar outras pautas importantes, como o direito ao voto, o acesso à educação e a igualdade jurídica. Esses movimentos ficaram conhecidos como movimentos sufragistas e tiveram grande impacto na organização política das mulheres em diversos países.

Assim, o Dia Internacional das Mulheres não surgiu apenas como uma homenagem simbólica, mas como um marco histórico de luta coletiva. Ele representa a memória de milhares de mulheres que enfrentaram repressões, preconceitos e dificuldades para conquistar direitos que hoje fazem parte da vida social e democrática de muitos países.

Por isso, compreender a origem da data é essencial para evitar que ela seja reduzida a uma simples comemoração comercial. Mais do que celebrar, o dia 8 de março é um convite à reflexão sobre a história, os avanços conquistados e os desafios que ainda permanecem.

Por que o dia 08 de março foi escolhido?

No dia 08 de março de 1917, mais de 90 mil mulheres russas se manifestaram em um movimento conhecido como “Pão e Paz”. Antes delas, muitas outras já lutavam por melhores condições de vida e trabalho, principalmente na Europa e Estados Unidos.

Este dia, em São Petersburgo, tem grande importância não só na história russa, como mundial. Essas mulheres lutavam contra a fome, as más condições de trabalho e também a respeito da participação do país na Primeira Guerra Mundial. Esse protesto contra o czar Nicolau II foi um dos estopins para a Revolução Russa, que eclodiu em outubro do mesmo ano.

A revolução Russa trouxe alterações no poder da época e isso possibilitou avanços importantes relacionados à atuação das mulheres.

No dia 08 de março de 1921, foi instituído o Dia Internacional das Mulheres.

De lá para cá, muitas mudanças nesse cenário ocorreram, porém não podemos dizer que a diferença de gênero ainda não é uma questão mundial a ser diariamente vivida pelas mulheres. E que deveria ser diariamente pensada por todos.

Que, pelo menos neste Dia Internacional das Mulheres, possamos fazer as reflexões necessárias. Que não se distribuam flores, chocolates e mensagens somente porque é o senso comum, com significados vazios.

Que o dia seja usado como um momento de reflexão de fato e que, caso se deseje, se manifeste essa reflexão com agrados, porém verdadeiros.

Se faz cada dia mais necessário que as datas que se comemoram e, mais do isso, buscam trazer reflexões e reivindicações sobre temas importantes parem de ser vistas somente com viés comercial ou qualquer outro que não seja de fato o de reflexão.

Principais conquistas das mulheres no Brasil

Podemos citar muitas conquistas das mulheres nesses mais de 100 anos, desde que o dia foi instituído e, na verdade, até antes dele, no Brasil, por exemplo; e vamos falar delas. 

Mas não podemos esquecer também das muitas diferenças e situações vividas.

  • Em 1827 foi permitido às mulheres frequentarem as escolas e em 1879 o direito ao acesso às faculdades.



  • Em 1910 foi criado o primeiro partido político feminino que lutava, entre outras coisas, pelo direito das mulheres ao voto, que foi somente conquistado em 1932.



  • Em 1962 foi criado o Estatuto da mulher casada e, em 1977, a lei do divórcio.



  • Só em 1979, as mulheres conquistaram o direito à prática do futebol, grande paixão nacional.



  • Em 2006, uma grande conquista das mulheres foi a Lei Maria da Penha, seguida, em 2015, pela lei do feminicídio e, em 2018, a importunação sexual feminina foi considerada crime.



  • Em 2021 foi sancionada a lei que previne, reprime e combate a violência política contra a mulher.

A evolução dos direitos das mulheres no Brasil

Ao analisar a trajetória histórica das mulheres no Brasil, é possível perceber que cada conquista representou um passo importante na construção de uma sociedade mais igualitária. Muitas dessas mudanças foram resultado da mobilização de movimentos femininos, organizações sociais e ativistas que dedicaram suas vidas à defesa dos direitos das mulheres.

O acesso à educação e à vida pública

Durante grande parte da história brasileira, as mulheres tiveram sua participação social limitada por normas culturais e jurídicas que reforçavam a desigualdade de gênero. Até o início do século XX, por exemplo, a presença feminina em espaços políticos e acadêmicos era extremamente restrita.

Com o avanço das discussões sobre direitos civis e igualdade, as mulheres passaram a conquistar gradualmente novos espaços na sociedade. O acesso à educação, por exemplo, teve um impacto profundo na autonomia feminina, permitindo que mais mulheres ingressassem em profissões qualificadas e participassem de forma mais ativa da vida pública.

Avanços nas políticas de proteção às mulheres

Outro ponto importante foi o fortalecimento de políticas públicas voltadas para a proteção das mulheres, especialmente no combate à violência doméstica e à discriminação no ambiente de trabalho. Ao longo das últimas décadas, diversas legislações foram criadas ou aprimoradas com o objetivo de garantir maior segurança e igualdade de oportunidades.

Além disso, o protagonismo feminino tem crescido em diferentes áreas, como ciência, política, empreendedorismo, esporte e cultura. Cada vez mais mulheres ocupam posições de destaque e influenciam decisões que impactam toda a sociedade.

Apesar desses avanços, é importante lembrar que muitas dessas conquistas foram obtidas recentemente e ainda precisam ser constantemente defendidas. O reconhecimento da história das mulheres no Brasil ajuda a valorizar essas vitórias e reforça a importância de continuar avançando na busca por igualdade.

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Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres

Em 1979, foi aprovado pela ONU essa convenção que é considerada um Tratado Internacional. Ela entrou em vigor em 1981. Muitos países assinaram, validaram, porém muitos os fizeram com ressalvas.

No Brasil, ele foi aprovado pelo Congresso Nacional em 1983, com ressalvas, e, em março de 1984, entrou em vigor. Em dezembro do mesmo ano, as ressalvas foram retiradas e a convenção aceita na íntegra.

Leia a Convenção.

A importância da convenção internacional para os direitos das mulheres

A criação dessa convenção representou um marco importante no reconhecimento internacional dos direitos das mulheres. O documento estabelece princípios e compromissos que os países signatários devem seguir para combater a discriminação de gênero em diferentes áreas da sociedade.

Principais temas abordados pelo tratado

Entre os temas abordados pela convenção estão o acesso à educação, igualdade no mercado de trabalho, participação política, saúde, direitos civis e proteção contra a violência. O objetivo principal é garantir que mulheres e homens tenham as mesmas oportunidades e condições de desenvolvimento em todos os aspectos da vida social.

O compromisso dos países com a igualdade de gênero

A convenção também destaca a responsabilidade dos governos na criação de políticas públicas capazes de promover a igualdade de gênero. Isso inclui ações voltadas para educação, combate à violência doméstica, incentivo à participação política feminina e redução das desigualdades no mercado de trabalho.

Outro ponto relevante é que o documento reconhece que a discriminação contra as mulheres não ocorre apenas de forma direta, mas também pode estar presente em práticas culturais, sociais e institucionais que perpetuam desigualdades históricas. Por isso, a convenção incentiva mudanças estruturais e culturais que promovam uma sociedade mais justa.

Ao aderir ao tratado, os países assumem o compromisso de revisar suas legislações, implementar políticas de igualdade e apresentar relatórios periódicos sobre as medidas adotadas para cumprir os objetivos da convenção.

Números a serem destacados

Vejam alguns números sobre a violência contra a mulher no Brasil:

  • 86% das mulheres brasileiras perceberam um aumento na violência cometida contra pessoas do sexo feminino durante o último ano de 2023.

  • 71% das entrevistadas consideram o Brasil um país machista.

  • 68% das brasileiras conhecem mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar.

  • 27% das entrevistadas já sofreram algum tipo de agressão por um homem.


Um estudo mostrou que 84,5% das pessoas no Brasil têm pelo menos um tipo de preconceito contra as mulheres.

Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios da última década. Foram 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houve 1.492 casos (Fonte: CNN).



Esses números são, além de tristes, alarmantes e mostram bem a urgência de combater a violência de gênero e promover a igualdade e o respeito às mulheres.

Vejam agora sobre o mercado de trabalho:

  • Em 2022, mesmo as mulheres sendo mais escolarizadas, elas ganhavam, em média, 21% menos que os homens. A maior desigualdade é vista nas profissões intelectuais e científicas, nas quais as mulheres recebem, em média, 36,7% menos que os homens. 

  • Em 2020, a participação feminina no mercado de trabalho caiu para 49,45%. Em 2021, houve uma leve melhora para 51,56%, mas isso ainda é 20% inferior à participação dos homens.

  • Apenas 39% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres em comparação com 61% dos homens.

  • Somando o trabalho remunerado e doméstico, as mulheres costumam ter uma jornada de 54,4 horas semanais, enquanto os homens trabalham em média 52,1 horas.

Reflexões sobre o Dia Internacional das Mulheres

Não precisamos pensar muito ao analisar essa linha do tempo e as outras informações trazidas neste artigo, para entender o porquê da necessidade de um Dia Internacional das Mulheres e de tantas outras iniciativas.

Não existiu um tempo em que as mulheres podiam e podem, de fato, serem mulheres. As lutas começam desde sempre, em todos os aspectos.

É preciso pensar em detalhes que os homens nunca pensaram, é preciso provar o valor a todo momento. Hoje, certamente, é infinitamente mais fácil e isso se deve a cada uma das mulheres que vieram antes. Mas ainda não é o que deveria ser e, pelas que estão vindo, é que se deve lutar todos os dias.


Que esse dia 8 de março não seja só mais um Dia das Mulheres, seja mais um dia em que as mulheres conquistem tudo o que quiserem. Porque igualdade mesmo é ser quem se é e o que quiser, mas é preciso ter direito a isso.

A importância da reflexão

O Dia Internacional das Mulheres também é um momento importante para reconhecer a diversidade das experiências femininas. As realidades vividas pelas mulheres podem variar significativamente de acordo com fatores como classe social, raça, idade, local de moradia e acesso a oportunidades.

Desigualdades que ainda precisam ser enfrentadas

No Brasil, por exemplo, mulheres negras enfrentam desafios ainda maiores em relação à desigualdade salarial, acesso à educação de qualidade e exposição à violência. Da mesma forma, mulheres que vivem em regiões mais vulneráveis muitas vezes encontram mais dificuldades para acessar serviços de saúde, proteção e oportunidades de trabalho.

Essas diferenças mostram que a luta por igualdade de gênero precisa considerar múltiplas dimensões da realidade social. Promover oportunidades iguais significa também reconhecer desigualdades estruturais e desenvolver políticas que atendam às necessidades de diferentes grupos de mulheres.

O papel da educação e das instituições

Outro aspecto importante é o papel da educação na construção de uma sociedade mais igualitária. Desde a infância, é fundamental incentivar valores como respeito, empatia e igualdade, para que novas gerações cresçam compreendendo a importância de combater estereótipos e preconceitos.

Empresas, escolas, universidades e instituições públicas também têm um papel relevante nesse processo. Ao promover ambientes inclusivos e respeitosos, essas organizações contribuem para reduzir desigualdades e ampliar as oportunidades para mulheres em diferentes áreas.

Por fim, o Dia Internacional das Mulheres deve ser visto não apenas como um momento de reflexão sobre os desafios existentes, mas também como uma oportunidade de reconhecer o impacto positivo das mulheres na sociedade.



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