Caso Schreber: Entenda!

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O caso Schreber é um dos estudos mais conhecidos e complexos da história da psicanálise e da psiquiatria. Tendo como personagem central o alemão Daniel Paul Schreber, um jurista e escritor que teve problemas com surtos psicóticos no final do século XIX, o caso se destaca tanto pelos episódios de alucinações e delírios relatados, quanto pela profundidade das análises que vieram em sequência. Uma dessas análises foi a famosa interpretação de Sigmund Freud, que vamos ver no texto.

Schreber escreveu sobre a própria experiência em suas memórias, onde passou por questões como visões de transformação corporal, comunicação com Deus e seu papel em uma missão divina. Esses relatos se tornaram importantes para abrir oportunidades no estudo da psicose e da paranoia, além de gerar debates existenciais sobre temas como identidade, sexualidade e o papel das famílias na saúde mental, seja para o bem ou para o mal.

Entender o caso é explorar os limites entre a razão e o delírio, bem como refletir sobre as limitações e desafios das nossas mentes, especialmente no que diz respeito a entendermos a nós mesmos e o mundo em que vivemos. A seguir, veremos mais pontos sobre os desdobramentos do caso Schreber e sua importância para o campo da psicologia.

Afinal, do que se trata o caso Schreber?

Segundo o Instituto Brasileiro de Psicanálise Clínica (IBPC), o que chama atenção no caso Schreber é a autodescrição dos delírios psicóticos que ele tinha durante seus anos de vida. Quando as perturbações começaram, ele decidiu escrever “Memórias de um doente dos nervos”, obra que relata sua condição mental, em 1903.

Dessa forma, Schreber acreditou que poderia contribuir para uma pesquisa científica a respeito do distúrbio sofrido. Outro ponto que chama a atenção é que Daniel dizia, com segurança, que a sua razão permanecia intacta, ainda que sofresse dos nervos.

No sentido de servir de estudo, o trabalho em questão é revisitado com frequência, até hoje, por muitos estudiosos. O caso Schreber, inclusive, chamou a atenção de Sigmund Freud, considerado o pai da Psicanálise e uma das personalidades mais influentes na história da psicologia. Diagnosticado com dementia paranoides, o delírio levou Schreber a acreditar que estava para se tornar a mulher de Deus.

Dessa forma, toda sua vida passa a se concentrar nesse aspecto esquizofrênico e, mesmo assim, foi capaz de lidar com isso com certa consciência para transcrever a sua experiência em sua obra, onde conseguiu validar a sua sanidade. Isso o permitiu aproveitar da liberdade sem qualquer interferência legal no cotidiano até certo tempo (Fonte: IBPC).

O que disse Freud sobre o caso Schreber?

Segundo o IBPC, a publicação do caso Schreber, para Freud, tem a ver diretamente com a história de desenvolvimento social da pessoa em si. Na obra “Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia”, de 1911, o psicanalista traz uma visão sobre o caso baseada nas palavras de Schreber, na interpretação de sonhos, temores e desejos, em aspectos de sua sexualidade e na formação familiar de Schreber, em especial a relação com o pai.

Freud afirmou, em seu estudo, que a revolta de Daniel contra Deus tem relação com a figura paterna e a homossexualidade reprimida. Sendo essa questão o ponto catalisador para o delírio, o amor, que se transformou em ódio, serviu de estopim para o quadro paranoico. O especialista ainda diz que surgimento desse delírio foi uma espécie de “tentativa de cura”, pois Schreber queria um alento para a morte do pai, um meio de aliviar o luto. Nesse caminho, a figura de Deus nos delírios de Schreber seria a representação do próprio pai, que também interferia na sua sexualidade.

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Os sinais de distúrbios mentais apresentados por Schreber

No caso Schreber, há relatos conectados a respeito do comportamento do escritor, incluindo do próprio ao se analisar (Fonte: IBPC).

As expressões mais evidentes de distúrbios, experimentadas por Schreber, são:

Hipocondria

Segundo o blog Vida Saudável, a hipocondria é um transtorno psíquico que, geralmente, se desenvolve no início da idade adulta e pode se acentuar com o passar dos anos. Como reflexo da condição, a pessoa se torna obcecada pela própria saúde e sente um medo intenso e prolongado de ter uma doença grave, mesmo quando não existem sintomas.

Alucinações

Schreber tinha experiências alucinatórias provocadas pela natureza da condição que apresentava. Assim, ele tinha visões si mesmo sendo tocado ou transformado em outras existências.

A prometida de Deus

Schreber acreditava que estava sendo perseguido por criaturas além da compreensão e que elas queriam transformá-lo, tanto em forma física como em sua essência. O aspecto mais distintivo desses episódios era a ideia de que estava sendo transformado em mulher para ser a esposa de Deus.

Ouvia vozes

O próprio Schreber relata que ouvia denunciando o aspecto esquizofrênico do seu problema. Ainda existe uma comunicação entre elas e as visões, criando relações confusas em sua cabeça, de forma que dois deuses estariam trabalhando para tornar sua realidade cada vez mais difícil.

Ilusões

As entidades que Schreber ouvia estariam realizando operações nele, todos os dias, e mudando a sua forma natural. O processo, lentamente, o transformaria em mulher. Segundo relatos em seu livro, as entidades retiravam partes do seu corpo para ativar a sua transição.

Qual a importância do caso Schreber?

A leitura do caso Schreber propõe uma abertura de pesquisa detalhada. Por meio disso, é possível ter, em detalhes, mais pontos a respeito da questão psicótica a qual Daniel esteve sujeito por muitos anos. Da mesma forma, tendo ciência de suas condições, ele tenta lidar com a crise para seguir com sua vida.

Mesmo sendo ponto de discussão entre especialistas, a perspectiva de Freud ajuda a ampliar os horizontes para entender o caso de forma mais profunda. O caso ainda contribuiu para refinar, ainda mais, a visão psicanalítica sobre a natureza e desenvolvimento da psicose. O trabalho ajuda a ampliar a visão para entender melhor sobre as causas e consequências de uma mente que está adoecida. Essa discussão está intrinsecamente ligada à essência da psicologia, que estuda o comportamento e os processos mentais do ser humano, incluindo as emoções, sentimentos e impressões.

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