Vamos falar sobre preconceito linguístico no mercado de trabalho

O mercado de trabalho se torna cada dia mais competitivo e, com isso, cada vez mais questões, muitas que não deveriam existir, inclusive, acabam vindo à tona. 

Diferença entre gêneros, raças e etarismo são, infelizmente, cada vez mais comuns. Porém, este artigo vai tratar de um tema que não é muito citado, mas que existe muito: o preconceito linguístico. 

Sabe o que é preconceito linguístico? 

Preconceito linguístico é a discriminação entre os falantes de um mesmo idioma, em que não há respeito pelas variações linguísticas (formas de falar e escrever). 

Variações linguísticas são os sotaques, regionalismos (características típicas do modo de falar de uma região), dialetos (variações regionais de uma língua), gírias e outras diferenças de fala. 

Ou seja, é um preconceito que deriva do que todo preconceito deriva, que é da falta de conhecimento, da aceitação do diferente e das diferenças. 

Num país de dimensões continentais como o Brasil, as variações linguísticas são uma grande característica e que deveria ser valorizada, compreendida, estudada, conhecida. E não vista como algo que separa, segrega e humilha. 

Quem nunca ouviu pessoas julgando outras por terem um sotaque diferente? Não querendo conviver com outras por falarem de uma forma diferente e que não compreendem? Enfim, a lista de exemplos, infelizmente, seria bem grande. 

Mas como o preconceito linguístico ocorre no mercado de trabalho? 

O mercado de trabalho é um recorte da sociedade e nele vemos questões que são vistas na sociedade e, algumas vezes, de forma até mais explícita e cruel. 

O preconceito linguístico, assim como outros tipos, costuma ser “velado” no mercado, porém ocorre já desde o momento das contratações. 

Muitas são as histórias de pessoas que deixaram de ser contratadas pois não se expressavam da forma que o recrutador achava a mais correta.  

Quando o preconceito não acontece na contratação, ele pode ocorrer nas relações profissionais e no dia-a-dia. 

Profissionais que não são valorizados e deixam de crescer na empresa devido ao preconceito. Situações vexatórias que fazem com que muitos profissionais mudem de trabalho ou aceitem cargos inferiores, para não sofrerem preconceito. 

Esses são alguns dos exemplos de como o preconceito linguístico acontece no mercado de trabalho. 

Como evitar? 

Conhecimento é sempre a principal “arma” contra qualquer tipo de preconceito. 

O preconceito linguístico não afeta somente aqueles que o sofrem, mas também as empresas de forma geral, pois deixam de atuar com profissionais que podem agregar muito, além de trazer um clima organizacional ruim. 

E, para combatê-lo, é preciso muita informação, empatia e diálogo. Quando as pessoas conhecem e reconhecem as diferenças como algo positivo e agregador, o preconceito se desfaz. 

A área de Recursos Humanos das empresas possui um papel muito importante quando se trata de preconceitos nos locais de trabalho, pois é ela que precisa agir como fonte de conhecimento e como elo das relações. 

Proporcionar um ambiente de acolhimento das diferenças certamente não é somente papel do RH, mas quando o exemplo vem daqueles que gerenciam e cuidam das pessoas, ele se espalha com maior facilidade. 

Todos se sentem acolhidos nas suas diferenças, sejam elas quais forem, e se sentem mais seguros para agir e para também acolher. 

O preconceito linguístico é uma realidade existente não só no mercado de trabalho, mas como já dito, e passa despercebido na maioria das vezes. Talvez diante de tantos outros preconceitos, ou diante dos grandes abismos sociais existentes. Porém, ele existe e precisa ser combatido com tanta força e empenho como qualquer outro tipo de preconceito. 

Sejamos nós os portadores do conhecimento sobre esse tema tão importante e que precisa ser debatido. 

Digamos não a todos os tipos de preconceito, estejam eles onde estiverem e digamos sim à diversidade que tanto nos enriquece.